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Da Caneta e Papel até um Legado Duradouro

Espanha

Localizado na cidade portuária de Cartagena, no sudoeste de Espanha, o Hospital Universitario Santa Lucía serve aproximadamente 279 000 habitantes da região de Murcia. Esta unidade hospitalar juntou-se pela primeira vez à Comunidade Angels no início do ano de 2018, após o consultor Angels ter entrado em contacto com a unidade como parte do plano regional.

Nessa altura, não existiam dados suficientes que permitissem realmente medir a eficiência da gestão dos doentes com AVC no hospital e a coordenação com os Serviços de Emergência Médica (SEM) na região era extremamente limitada. Tínhamos estimado um tempo “porta a agulha” de cerca de 60 – 70 minutos, contudo não existiam registos oficiais disponíveis para consulta.

Dirigido pelos Dr. Jose Antonio Pérez Vicente, Dra. Maria Dolores Ortega e Dra. Cristina Sánchez Vizcaíno, o serviço de neurologia deu início aos seus esforços empreendendo um passo bastante simples mas eficaz: começou a registar dados relevantes para todos os casos de AVC num registo em papel. No espaço de dois meses, recolhemos dados referentes a um total de 12 doentes recanalizados.

Verificou-se logo uma enorme mudança apenas pelo simples facto de registar e analisar dados durante dois meses seguidos. O hospital conseguiu reduzir os seus tempos “porta a TC” médios para 21 minutos e os tempos “porta a agulha” médios para 43 minutos.

Com estes dados como base, instituímos um grupo de trabalho multidisciplinar no hospital envolvendo os SEM, o SU, o Serviço de Radiologia e o Serviço de Neurologia, bem como a Unidade de AVC e os enfermeiros do SU. Rapidamente concordámos que ainda existia espaço para melhorar a abordagem aos doentes com AVC e decidimos implementar as 4 medidas principais propostas pela Iniciativa Angels – pré-notificação, encaminhamento direto para TC, tratamento na TC e amostras de sangue prioritárias. 

O passo seguinte consistiu em realizar uma simulação do código de AVC envolvendo os SEM, que nos permitiu analisar o protocolo existente, otimizar ações prioritárias com a equipa multidisciplinar e, eventualmente, conceber um novo protocolo para o AVC adaptado ao hospital. Além disso, foi implementado um registo de AVC regional eletrónico nos hospitais que assistem doentes com AVC na região, permitindo à comunidade hospitalar dispor de todas as informações referentes a doentes com AVC.

Hospital Universitario Santa Lucía, Cartagena, Murcia

A grande questão é: em que medida é que estas mudanças afetaram a qualidade do tratamento do AVC proporcionado pelo hospital?

Felizmente para nós, o hospital também estava a participar no estudo espanhol a nível nacional ATALAIA sobre a qualidade da monitorização do AVC. O hospital introduziu um total de 34 doentes recanalizados durante seis meses do estudo, e os seus dados são simplesmente impressionantes!

Dados sobre a implementação do Modelo de Helsínquia
Ações do Modelo de Helsínquia Total de 34 doentes
Transportados pelos SEM 85% (28)
Pré-notificação pelos SEM 64% (18)
Próprios meios dos doentes 15% (5)
Neurologia a aguardar pelo doente 88% (16)
Direto para a TC 81% (13)
Tratar na TC 58% (19)
Amostras de sangue prioritárias 97% (32)

Conforme indicado na tabela acima, quase dois terços dos doentes que chegaram ao hospital de ambulância receberam pré-notificação pela equipa dos SEM – um sinal claro de que as nossas sessões de formação e simulação tinham sido eficazes.

Este pré-aviso desencadeou um efeito de dominó, pois concedeu tempo para que todos na equipa multidisciplinar cumprissem as suas funções na preparação para receção do doente, tais como registar o doente no sistema, garantir a disponibilidade de um equipamento de TC e, inclusive, esperar pelo doente à porta do hospital. Durante este estudo, quatro em cada cinco doentes que chegaram ao hospital com pré-notificação pelos SEM foram levados diretamente para o equipamento de TC.

“Porta a agulha” atual do hospital: 31,5 min. “Porta a imagiologia”: 20 min.


Procedimentos de recanalização: 70,6% rTPA; 29,4% IV + trombectomia

O que é ainda mais impressionante, estes resultados mostraram que o Hospital Universitario Santa Lucía foi capaz de reduzir os seus tempos “porta a agulha” de uma média de 60 – 70 minutos para apenas 31,5 minutosem apenas alguns meses, colocando-o em quinto lugar na lista de 43 hospitais que participaram no estudo ATALAIA. E ainda, a equipa continua desejosa de mostrar que consegue alcançar uma média “porta a agulha” de 20 minutos, conforme o Modelo de Helsínquia demonstrou ser possível.

Com tempos de tratamento reduzidos para metade, imaginem quantos mais doentes poderão sair do hospital com as suas vidas intactas e sem deficiência permanente, quantos mais sorrisos e quantos mais momentos valiosos serão concedidos aos entes queridos dos doentes.

A equipa de AVC do Hospital Universitario Santa Lucía demonstrou que isto pode ser alcançado num período de tempo relativamente curto, utilizando informações disponíveis gratuitamente e recursos como os proporcionados pela Angels. No entanto, e como a equipa poderá confirmar, o fator principal no seu progresso reside simplesmente na motivação para proporcionar o melhor aos doentes.

Esta equipa extraordinária transformou num legado de que nos orgulhamos de fazer parte, o que começou como monitorização de qualidade manual utilizando caneta e papel. Enquanto aguardamos com expectativa os seus futuros avanços, desejamos que possam continuar a atuar como um exemplo positivo para o resto da Comunidade Angels.

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